foto-logo-radio Radio Aparecida FM 105,9 ligue 3236 1018 / 991157718

Ouça agora na Rádio

Ouça agora

Volta às aulas no Paraná: Entenda por que o ensino presencial está suspenso na rede pública, mas foi liberado nas escolas particulares

Postado em 26/03/2021 por

Compartilhe Agora!

Rede privada de ensino foi autorizada a funcionar no modelo híbrido de ensino em 10 de março. Enquanto isso, alunos da rede estadual continuam com aulas remotas há um ano. Especialista diz que pandemia agravou o problema da desigualdade escolar.

Enquanto estudantes da rede particular foram autorizados, pelo Governo do Paraná, a voltarem para as salas de aula, com ensino presencial e híbrido, os alunos da rede pública continuam em casa estudando de forma remota.

Juntas, a rede particular e estadual atendem a 1,5 milhão de crianças e adolescentes, sendo que 1 milhão estão em instituições públicas estaduais, segundo dados do Censo Escolar.

Há pouco mais de um ano, quando a pandemia chegava ao Paraná, entre as primeiras medidas anunciadas pelo governo do estado estava a suspensão das aulas presenciais nas redes pública e privada de educação. Desde então, o retorno da rotina de estudo foi adiado quatro vezes.

Por outro lado, escolas particulares de todo o Paraná chegaram a reabrir em fevereiro de 2021. Após o fim do decreto que estipulou medidas restritivas no estado, as instituições foram autorizadas a retomar o modelo híbrido em 10 de março. Contudo, os municípios têm autonomia para liberar ou não o modelo presencial.

Os sindicatos das escolas particulares e dos trabalhadores das escolas públicas divergem sobre o tema. Enquanto isso, especialistas dizem que a pandemia pode agravar a desigualdade educacional.

Segundo a Secretaria de Educação do Paraná, por trás da decisão de suspender as aulas na rede pública, está a quantidade de pessoas envolvidas.

De acordo com o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, a diferença na estratégia e autorização para retorno presencial por parte do governo se dá por causa do número de trabalhadores na rede pública e privada de ensino.

“A ideia do governo era liberar as duas redes juntas. Só que, com o agravamento da pandemia, quando você abre a escola, você está convocando milhares e milhares de profissionais para trabalhar. Na rede particular, você tem a opção de poder voltar ou não”, disse.

O secretário afirmou que o volume trabalhadores das escolas particulares é aproximadamente dez vezes menor do que o da rede pública.

Feder disse que as escolas públicas estão prontas e que o governo avalia o retorno no modelo híbrido, com revezamento de alunos entre o ensino presencial e remoto, a partir do começo de abril. Apesar disso, o estado ainda deve decidir sobre a data.

“A gente entende que a escola é um ambiente seguro. É muito melhor para a sociedade que o jovem frequente a escola do que ambientes sem protocolos. Estamos esperando a pandemia sair do pico, principalmente na questão das UTIs, de termos leitos disponíveis para a população”, afirmou.

Salas de colégios públicos paranaenses não recebem alunos para aulas desde março de 2020 — Foto: Divulgação/Seed

Salas de colégios públicos paranaenses não recebem alunos para aulas desde março de 2020 — Foto: Divulgação/Seed

Escolas públicas

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), Hermes Leão, afirmou que o órgão é contrário ao retorno presencial, no atual momento da pandemia.

Com situação crítica no sistema de saúde, o Paraná tem 807.453 casos confirmados da doença e 15.339 mortes pela Covid-19, segundo o governo do estado.

Hermes Leão disse que o sindicato entende que este é o momento para a instalação de um lockdown estadual, de 21 dias, com o objetivo de reduzir a circulação de pessoas.

“Nossa defesa é que as escolas, tanto da rede municipal, quanto da rede estadual e particular, sejam fechadas nesse período. Não tem a menor condição da gente colocar em movimento estudantes, professores e funcionários no meio de um período como esse”, afirmou.

O presidente da APP-Sindicato disse ainda que a criação de um protocolo de segurança para evitar o contágio da Covid-19 foi importante, apesar de que a norma não garante que as contaminações deixem de acontecer.

Leão disse que o sindicato defende o retorno presencial com 70% da população vacinada contra a Covid-19. Atualmente, pouco mais de 6% dos paranaenses receberam ao menos uma dose do imunizante.

“Temos dados de outros países de que a retomada de atividades escolares colocam em risco de contaminação as crianças, os adolescentes, que acabam sendo um vetor de transmissão para seus familiares”, argumentou.

A APP-Sindicato considerou “criminosa” a postura de relaxamento das medidas na pandemia e afirmou que há falta de diálogo entre o governo e os professores.

O secretário Renato Feder disse que a secretaria está dialogando com as escolas públicas e afirmou que o sindicato não apresenta propostas ou “são propostas que não colaboram com a educação”.

Escolas particulares

Em cidades como Maringá, Londrina, Foz do Iguaçu, Guarapuava e Cascavel, escolas particulares estão abertas e funcionando.

O Governo do Paraná autorizou o retorno na rede privada, desde que as escolas sigam um protocolo de segurança criado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para evitar o contágio do novo coronavírus.

Além disso, as aulas devem ser no modelo híbrido, sendo que as salas podem ter, no máximo, 30% da capacidade dos alunos.

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR), Douglas Oliani, disse que o órgão é favorável ao retorno das atividades presenciais com o cumprimento dos protocolos de segurança.

“Temos uma pesquisa que mostra que 95% das escolas estavam definitivamente preparadas para receber os alunos. Entendemos que a escola é um ambiente seguro. A escola particular está preparada para receber até 60% dos alunos”, afirmou.

Em relação ao ensino remoto, Oliani afirmou que o modelo complementa o ensino presencial. Além disso, o presidente disse que os estabelecimentos privados estão preparados para repor conteúdos que possam ter sido prejudicados, neste período.

“As questões mais importantes que ficam estão relacionadas ao fator psicopedagógico, que precisa ser muito mais cauteloso com os alunos neste momento de recuperação”, comentou.

Desigualdade

O coordenador de políticas públicas educacionais do Todos Pela Educação, Ivan Gontijo, explica que a pandemia colocou em evidência e aprofundou um problema que já existia no Brasil: a desigualdade escolar.

Com o ensino remoto, Gontijo afirma que alunos de maior nível socioeconômico conseguem aprender mais, mesmo a distância, por ter maior acesso às ferramentas digitais e mais apoio da família.

“Já os estudantes mais vulneráveis, eles têm menos acesso à internet, normalmente não têm lugares apropriados para estudar em casa. Então, eles têm mais dificuldades para aprender. A desigualdade já era um desafio muito importante quando, em tese, todo mundo tinha acesso à escola”, explicou.

Gontijo disse que os governos precisam oferecer ensino de qualidade para todos os públicos, e não para poucos. Além disso, para ele, agora as estratégias precisam ser voltadas para não deixar nenhum estudante para trás e recuperar o tempo perdido.

“Vai ser necessário que esses estudantes tenham mais apoio, tenham aulas de reforço e recuperação. A gente precisa garantir a conectividade desses estudantes, não só agora, mas para o futuro, porque a gente sabe que tecnologia vai ser algo importante para a reconstrução da educação”, disse.

A Seed afirmou que o Paraná criou o programa “Mais Aprendizagem” para oferecer aulas de reforço no contraturno escolar. Um dos objetivos é amenizar a desigualdade e os impactos com a pandemia.

Sobre a pandemia, o coordenador disse que é desafiador abrir escolas no momento atual. Apesar disso, Gontijo argumenta que a impressão que fica é que as instituições de ensino precisam ser as primeiras a fechar e as últimas a abrir.

“Os impactos das escolas fechadas são gigantescos, principalmente para as crianças mais vulneráveis. Nesse momento, que a pandemia está com números assustadores, as escolas têm que fechar, mas as secretarias de Educação têm que continuar o planejamento para essa abertura.”

Adiamentos na rede pública

Entre restrições e flexibilizações nos últimos 12 meses, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) chegou a anunciar o retorno das atividades presenciais na rede pública, por meio do ensino híbrido, a partir de 18 de fevereiro.

O retorno às salas de aula foi adiado para 1º de março e acabou sendo novamente atrasado para o dia 15, após medidas mais restritivas adotadas no estado. Apesar disso, a volta não aconteceu e o ensino presencial continua suspenso nas escolas públicas.

informações g1

Deixe um comentario

Estamos felizes por você ter optado por deixar um comentário. Lembre-se de que os comentários são moderados de acordo com nossa política de comentários.