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Análise: com muita posse e pouca agressividade, Inter é amarrado em derrota no Gre-Nal

Postado em 05/04/2021 por

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Colorado tem a bola por 70% do tempo no clássico, mas finaliza menos e é derrotado pelo Grêmio na Arena

O árbitro Anderson Daronco decreta o final da derrota do Inter por 1 a 0 no Gre-Nal que começou no sábado e avançou madrugada de domingo adentro e cabe a Rodrigo Dourado conceder entrevista ainda no gramado da Arena para explicar o tropeço. O capitão expressou toda a frustração colorada com poucas, mas sinceras e doloridas palavras:Não sei o que acontece. Nos Gre-Nais, a gente chega na cara do gol e não consegue fazer os gols. Tem medo de chutar, medo de ser feliz— Rodrigo Dourado

O desabafo do volante faz jus ao sentimento de amargar o 15º Gre-Nal seguido sem vencer na Arena. E com uma derrota logo no clássico seguinte à primeira vitória sobre o Grêmio em dois anos, conquistada em janeiro passado.

Nas palavras de Dourado, o Inter parece ter “medo de ser feliz” quando enfrenta o maior rival. Uma frase que diz muito sobre o histórico recente e também sobre o que foram 90 minutos de partida.

Uma partida em que a equipe teve teve 70% de posse de bola, mas nunca conseguiu assumir o controle, de fato, da partida. Aliás: foi controlada pelo Grêmio mesmo com a bola quase sempre em seus pés. E virou presa fácil para a estratégia armada pelo treinador rival.

Edenilson pouco apareceu na partida da Arena — Foto: Ricardo Duarte/Divulgação, Inter

Edenilson pouco apareceu na partida da Arena — Foto: Ricardo Duarte/Divulgação, Inter

Contratado para promover uma ruptura no modelo de jogo, Ramírez estreou em Gre-Nais logo em sua sexta partida pelo Inter. Mandou a campo uma equipe ainda em formação para enfrentar Renato Portaluppi em sua sexta temporada no comando de um Grêmio acostumado a grandes duelos.

Mas que também passa por transformações e com desfalques. Se o espanhol recém inicia uma mudança no jeito de jogar com muitos jogadores remanescentes de trabalhos anteriores no time titular, o Tricolor encerrou o clássico com nove atletas formados na base em campo.

Após muitos testes nos jogos anteriores, Ramírez armou o Inter para o Gre-Nal com o que considera ser uma “espinha dorsal” ideal para o time. Lucas Ribeiro foi surpresa na defesa, ao passo que Mauricio era atração aberto pela direita.

Números do Gre-Nal

  • Posse de bola: Inter 70% x 30% Grêmio
  • Finalizações: Inter 9 x 10 Grêmio
  • Passes completos: Inter 492 x 245 Grêmio
  • Passes incompletos: Inter 57 x 70 grêmio
  • Percentual de acerto de passe: Inter 89,1% x 77,7% Grêmio
  • Desarmes: Inter 15 x 21 Grêmio

O que se viu em campo foi um Inter que se repetiu em suas virtudes, mas principalmente, em seus defeitos. E que pouco conseguiu encontrar soluções para desmanchar a estratégia adversária.

O Grêmio entrou em campo para jogar sem a bola, com orientações bem evidentes. A ordem era adiantar a marcação para pressionar a saída de bola do Inter e fechar espaços para impedir progressões com superioridade numérica. Deu certo na maior parte do tempo.

O Inter se manteve fiel ao jogo de posição, com mecânicas já evidentes. O time mostra compreensão ao que o treinador pede. Mas sofreu ao tentar construir o jogo por baixo, com aproximações e sempre com Dourado entre os zagueiros.

Como o Grêmio apertava, a equipe tinha dificuldades em progredir. Boa parte dos 70% de posse de bola colorada foram improdutivas, com passes de lado a lado no campo de defesa e na intermediária.

A equipe não conseguiu acelerar o jogo para levar perigo. Ainda que Ramírez tenha explicado que não avançar era uma orientação para tentar criar “vantagens” para progredir em superioridade numérica, a “lentidão” para chegar ao ataque impediu o Inter de ser agressivo.

– A velocidade do jogo depende sempre dos espaços que vamos encontrando. Só podemos acelerar a jogada quando temos espaço e vantagem para isso. Se for adiante, vai voltar rápido. Se tivéssemos saído com os três pontos, teríamos visto a posse de bola de outra maneira. Queremos ter o controle para chegar em condições favoráveis à área contrária – disse Ramírez.

Com muita bola e pouca saída, o Inter fugiu de seu estilo preferencial. Passou a usar a ligação direta como única alternativa para levar perigo. As jogadas só fluíam a partir do pivô de Yuri Alberto ou de algum rebote da defesa que sobrava nos pés dos meias, com o meio-campo gremista desprotegido.

Foi assim que Mauricio conseguiu deixar Praxedes livre na cara do gol com um passe vertical. Mas o meia parou em Brenno.

No segundo tempo, o Inter conseguiu atuar mais dentro do campo do Grêmio. Mas o Tricolor impediu progressões com linhas mais baixas. O único lance de perigo partiu de uma arrancada de Lucas Ribeiro. O zagueiro percebeu o espaço e avançou até a área, mas finalizou para fora.

O Tricolor que se fechou bem escapava com perigo sempre que conseguia acionar Ferreira pela esquerda. Mesmo com 30% de posse de bola, a equipe finalizou mais que o Inter: 10 a 9. E Léo Chú aproveitou um contra-ataque para definir a vitória com um golaço.

A derrota ainda faz o Inter perder a liderança do Gauchão para o maior rival. O Colorado soma 17 pontos, mesma pontuação do Grêmio, líder pelo saldo de gols e com um jogo a menos.

O elenco colorado se reapresenta para trabalhos na tarde da segunda-feira, no CT do Parque Gigante. O Inter enfrenta o Aimoré no Cristo Rei na próxima rodada. Mas a partida ainda não tem data marcada.

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